Ter casa própria continua a ser um dos principais objetivos de vida dos portugueses. No entanto, entre o desejo e a assinatura do contrato, existe um obstáculo cada vez mais difícil de ultrapassar: o preço dos imóveis, que não dá sinais de abrandar.
De acordo com um estudo realizado pela Escolha do Consumidor, cerca de 70% dos portugueses já vivem em casa própria, um valor que revela uma forte tradição de compra de habitação em Portugal. Ainda assim, o mesmo estudo mostra que o custo das casas permanece como o principal desafio para quem procura ser proprietário de um imóvel, sobretudo entre os mais jovens.
Casa própria continua a ser prioridade
Apesar das dificuldades, a habitação própria mantém-se como uma prioridade para a maioria das famílias portuguesas. É vista não apenas como um local para viver, mas como um investimento de longo prazo e uma garantia de estabilidade.
Segundo a pesquisa, 43% já têm a casa paga e 26% continua a pagar o financiamento. Por outro lado, o arrendamento continua a ser uma solução para 25% dos entrevistados. Já 5% vive em imóveis cedidos por familiares ou amigos e 1% vive com os pais.
Esta preferência ajuda a explicar porque é que, mesmo num contexto de subida dos preços, muitos portugueses continuam a procurar soluções para comprar casa, recorrendo a crédito habitação, apoio familiar ou até às poupanças.
Cerca de 33% revela vontade de comprar, mas ainda não definiram quando. Já 40% não têm, de momento, intenção de adquirir habitação. No que diz respeito ao tipo de imóvel, a preferência vai para as moradias, sendo que apenas 25% prefere apartamentos.
O estudo revela que o preço é o principal entrave. A subida contínua dos preços, em especial nos grandes centros urbanos, tem vindo a afastar potenciais compradores, tornando o acesso à habitação cada vez mais difícil.
Este cenário afeta sobretudo os jovens adultos que procuram a primeira habitação, famílias com rendimentos médios, bem como compradores que não dispõem de poupanças suficientes.
Além do preço das casas, fatores como as taxas de juro e o custo de vida agravam a dificuldade em avançar para a compra. Entre os que avançaram, 31% revela ter demorado mais de três anos a juntar o valor necessário para a entrada do imóvel e 18% levou entre um e três anos.
Só um número muito reduzido conseguiu fazê-lo em menos de um ano (9%). Adicionalmente, 1% ainda está a juntar o valor para alcançar este objetivo. O apoio de familiares ou amigos foi decisivo para 21% dos casos e 9% afirma não ter poupado para a entrada da casa, pois adquiriu a habitação a pronto pagamento.
Arrendar ou comprar: uma decisão cada vez mais complexa
Perante este contexto, muitos portugueses veem-se obrigados a adiar a compra de casa e a permanecer no mercado de arrendamento. No entanto, também aqui os preços elevados colocam pressão sobre o orçamento familiar, reduzindo a capacidade de poupança necessária para uma futura aquisição.
Esta realidade cria um ciclo difícil de quebrar: rendas altas limitam a poupança, e a falta de poupança impede o acesso à compra.
Embora não exista uma solução milagrosa, algumas medidas podem ajudar a aliviar o problema. Além dos apoios específicos à compra da primeira habitação, existem incentivos fiscais para jovens compradores.
Os dados do estudo da Escolha do Consumidor mostram que, apesar de a maioria dos portugueses já ter casa própria, o acesso à habitação continua a ser um dos grandes desafios.








