Imaginar o futuro do consumo já não obriga a um grande exercício de ficção científica. A verdade é que ele já começou e os portugueses estão a senti-lo no dia-a-dia, mesmo que muitos ainda não se apercebem disso. A Inteligência Artificial (IA), a sustentabilidade e a economia circular deixaram de ser tendências distantes e já estão a influenciar escolhas tão simples como decidir onde comprar, quanto gastar e mesmo que marcas escolher. Um estudo realizado pela Escolha do Consumidor, sistema de avaliação de marcas número um em Portugal, mostra que esta transformação já esta a acontecer.
Quase metade dos consumidores afirma já ter sido influenciado por recomendações baseadas em IA. Para uns, apenas uma ou duas vezes; para outros, várias. Mas há também um grupo curioso: 27 por cento não sabe dizer se foi influenciado ou não, num claro sinal de que estas tecnologias começam a agir de forma discreta, integrada e quase invisível no processo de compra.
Ainda assim, a IA surge como facilitadora. Para 32 por cento dos inquiridos, reduz o esforço de pesquisa, tornando tudo muito mais rápido e intuitivo. Outros 25 por cento agradecem a capacidade de descobrir produtos relevantes que, de outra forma, passariam despercebidos. E 19% destacam a personalização: sugestões personalizadas, tendo em conta os gostos de cada pessoa, num processo que parece feito à medida.
Ainda assim, nem todos estão convencidos: 14 por cento não sente qualquer diferença e 10 por cento considera que a tecnologia complica mais do que ajuda, mostrando que a confiança ainda não é universal.
Mas a mudança não se limita à tecnologia. O consumo consciente está a ganhar terreno, embora com nuances. A maioria dos portugueses quer consumir menos, mas de forma seletiva: 53 por cento planeia reduzir as compras em algumas categorias, enquanto 21 por cento pondera mudanças mais profundas. Já um pequeno grupo (5%) admite manter ou até aumentar o consumo.
Quanto à sustentabilidade, para mais de metade dos entrevistados, escolher uma marca sustentável depende, antes de mais, de o preço ser competitivo. Já 25 por cento valorizam o compromisso ambiental, enquanto 18 por cento se mostram indiferentes.
A economia circular continua a crescer, mas ainda não é dominante. Quase metade dos portugueses não tem o hábito de comprar produtos em segunda mão, embora quem compra o faça sobretudo em moda (24%), tecnologia (17%) e brinquedos (3%).
À medida que a sensibilização aumenta e a tecnologia simplifica processos, tudo indica que a economia circular, a personalização inteligente e o consumo mais responsável vão deixar de ser exceção para se tornarem regra.








