Espelho meu: há alguém mais belo (por dentro e por fora) do que eu?

Um estudo da Escolha do Consumidor revela que quase metade dos portugueses espera que as marcas de beleza falem sobre saúde mental.

Durante muito tempo, falar sobre beleza foi quase sempre sinónimo de aparência. Cremes, maquilhagem, perfumes e rotinas perfeitas ocupavam o centro das atenções. No entanto, algo está a mudar e os consumidores estão a deixar isso bem claro. Hoje, os cuidados vão muito além do que vemos no espelho e isso inclui, cada vez mais, o bem-estar emocional e a saúde mental.

Segundo um estudo efetuado pela Escolha do Consumidor, 45% dos portugueses considera importante que as marcas do sector da beleza tenham um papel ativo na educação dos consumidores sobre saúde mental. Um dado que não surge por acaso e que reflete uma transformação na forma como o autocuidado está a ser encarado.

As conclusões revelam que, para a maioria dos portugueses, a beleza vai além da estética, ou seja, é um gesto que promove a autoestima, um ritual de autocuidado que pode aliviar o stress e contribuir para a sua saúde mental.

A maioria (57%) afirma que a compra de produtos de beleza melhora a autoestima. Para 19%, trata-se de um momento de relaxamento e autocuidado, enquanto 14% indica que o impacto emocional depende do tipo de produto adquirido. Apenas 10% não sente qualquer tipo de consequência emocional.

Beleza e bem-estar de mãos dadas

A ligação entre mente e corpo é cada vez mais reconhecida. O stress e a ansiedade têm um impacto direto tanto na pele, como no cabelo e até na forma como nos sentimos. Por isso, faz todo o sentido que as marcas de beleza passem a integrar este tema na sua comunicação, indo além das promessas estéticas.

Os consumidores valorizam marcas que reconhecem esta realidade, que normalizam conversas difíceis e que ajudam a quebrar tabus. Trata-se de informar, sensibilizar e criar espaços seguros onde o bem-estar é visto como um todo. Entre as marcas mais associadas ao bem-estar mental na indústria da beleza, os entrevistados destacaram a Nivea, L’Oréal, Garnier, Uriage, O Boticário, Dove, Rituals e Kiko Milano.

Quanto ao que é mais valorizado em marcas que apoiam a saúde mental, o destaque vai para as mensagens positivas e inspiradoras (31%), os produtos que proporcionem bem-estar (29%), ações como campanhas de sensibilização e doações (29%) e a transparência e coerência com os valores da marca (11%).

Mais do que campanhas bonitas

Mas os portugueses esperam mais do que campanhas que fiquem bem na fotografia. Há uma expectativa clara de responsabilidade social, empatia e informação credível. As marcas que conseguem alinhar estes valores com os seus produtos ganham relevância, confiança e proximidade.

Segundo o estudo, 45% dos entrevistados admite que essa intervenção é essencial e 44% valorizam-na desde que esta seja feita de forma genuína. Por outro lado, 7% acredita que não se trata de uma prioridade e 4% reconhece que pode ter um impacto positivo.

Falar de saúde mental é, para muitos consumidores, um sinal de maturidade e consciência social. É mostrar que a marca entende os desafios do dia a dia, desde a pressão social à sobrecarga emocional, e que está disposta a contribuir para uma relação mais saudável com a imagem e com o consumo.

Um novo papel para o sector da beleza

Falar ou não sobre saúde mental pode ter impacto nas decisões de compra e, segundo o estudo, 25% já deixou de comprar um produto ou serviço por sentir que a marca não respeita este tipo de questões, 17% ponderou essa possibilidade, mas acabou por comprar na mesma, e 10% nunca pensou sobre o assunto. Por outro lado, 48% considera que isso nunca influenciou a sua decisão de compra.

Esta mudança de expectativas representa uma oportunidade. As marcas que apostam em conteúdos educativos e mensagens positivas ajudam a redefinir o conceito de beleza. Uma beleza mais humana, inclusiva e alinhada com a vida real.

Num contexto em que o bem-estar mental ganha cada vez mais destaque, o sector da beleza é chamado a evoluir. E, segundo os consumidores portugueses, esse caminho passa por assumir um papel ativo na educação, na sensibilização e no cuidado com a saúde mental.

Porque, no final, sentir-se bem por dentro continua a ser o primeiro passo para se sentir bem por fora.

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